jump to navigation

Deus me livrou da morte March 12, 2010

Posted by paulolanzeloti in 1.
trackback

No dia 7 de julho de 2005, em plena hora do rush, três bombas foram detonadas no metrô de Londres e uma bomba foi detonada em um onibus. 56 mortos.

Na época, eu morava na Inglaterra, em Brixton, Londres. Eu trabalhava em Finsbury Park. Todo dia pela manha, eu saia de casa as 8h00 e viajava até seven sisters station para entrar as 9h00. Eu já estava trabalhando fazia 1 mês e não faltei uma vez se quer, nunca tinha deixado de aparecer no trabalho. Minha rotina era essa, todo dia de manha eu chegava na estação mais importante “kings cross station” por volta das 8h50 – 8h55.

Eu não tinha terminado meus estudos ainda, e apesar de estar trabalhando estava procurando uma escola para estudar. Meus pais estavam procurando para mim, e era uma quarta-feira quando eles entraram em uma escola e conversaram com o diretor. O diretor pediu para que eu e meu irmão fosse lá no dia seguinte para fazer entrevista e ver se conseguimos entrar na escola.

Na quinta-feira, dia 7 de Julho, de 2005, eu deixei de ir para o trabalho, para poder fazer entrevista na escola. Foi o primeiro e unico dia que faltei no meu trabalho. Na manha de quinta-feira, eu acordei com alguem “gritando”. Dizendo “olha o que aconteceu?!” Eu estava meio zonzo ainda, tinha acabdo de levantar quando fui para a sala e vi na TV dizendo. “na manha de hoje, as 8h50 da manha, houve uma explosão no metrô, na estação de Kings Cross.”

Eu fiquei chocado. Eles não sabiam a causa da explosão ainda e ainda estavam apurando. Quando a quarta bomba explodiu no onibus, confirmaram que era um atentado. Um ataque terrorista. Eu e meu irmão ficamos com uma certa, não digo trauma, mas ficamos pensativos. Eu tinha acabado de fugir da morte, se não morte, fugimos de um grande problema, pois era exatamente naquele local, naquele horario, na hora do rush, que era para estarmos lá.

Deus nos livrou.

Eu lembro como se fosse ontem, tivemos que ir de onibus para o trabalho, e quando o metrô voltou a funcionar, passavamos na frente da Kings Cross, e estava tudo fechado, tudo abandonado, o metrô passava direto. Pulava a estação. Agora imagina, uma bomba explodir na hora do rush, na estação da sé. Imagina depois ter que passar direto na estação da sé e ver tudo vazio, abandonado. Era uma tristeza, se tivesse alguém falando no metrô, todos ficavam quietos ao passar direto.

Algum tempo depois desse atentado, mataram um brasileiro chamado Jean Charles de Menezes, uma estação da minha casa. O pior é que eu tenho uma certa semelhança com o Jean. Quando saiu a noticia “Brasileiro morto em Londres” , na região proxima a minha, e a foto dele, que parecia comigo, minha familia no Brasil, meus amigos, tudo me mandando mensagem. Hoje posso até achar engraçado, mas é triste.

Imagina você estar lá, e na estação seguinte um Brasileiro que parece com você ser morto a tiros dentro do metrô que você pega todos os dias. Bom, é de arrepiar.

E voltando ao assunto que levantei no post “me colore que eu to bege” sobre preconceito e preocupação, eu disse que ia contar o que aconteceu comigo na Inglaterra e que ia ajudar explicar preocupação e preconceito. Então vamos lá, após esse incidente, era dificil andar de metrô, muita gente ficaram sem andar de metrô por meses. Era um trauma. Um certo dia, eu entrei no metrô, sentei no meu lugar e fiquei esperando chegar ao meu destino, normal.

Entra um rapaz mulçumano, barbudo, com uma mochila nas costas. Eu fico olhando para ele já desconfiado. Fiquei de olho nele, já meio com pé atrás e com um certo medo. E do nada ele começa a mexer na mochila, puxa um celular e um negocinho. Ai automaticamente eu penso “bom, ele acabou de puxar o detonador e estamos todos esperando para morrer.” E do nada, o maluco fecha os olhos e começa a orar ou não sei o que ele estava fazendo, mas estava falando sozinho em arabe. Só sei que pensei, vou orar também, se morrer pelo menos vou orando. Ou então, “vamos ver qual oração é mais forte.”

E depois ele guarda o celular e fica normal. E tudo passa. Eu sai e deu risadas. Agora me diz, é preconceito isso? Eu acho que não, ele abusou viu. Ele ja estava vestido para o momento, tava de mochila e ainda começa a orar em arabe, parecia que estava pronto para entregar a alma para Allah. Vai saber se era terrorista mesmo e minha oração foi mais forte, vai saber né. Teve outra tentativa depois de um tempo, mas as bombas falharam e não houve explosão.

Veja o momento em que explodiu o Onibus.

Comments»

1. Carol - March 16, 2010

foi Deus mesmo…qts vezes não entendemos certas situações, e depois vemos que foi a mão de Deus nos livrando de algo; muito forte…


Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: